A história completa do Zé da Tripa

Sabe quem é o Zé da Tripa e conhece a sua história?

Confecciona bolachas e tripas, mas à moda de Aveiro. Há dezenas de anos que propaga em vários pontos da região de Aveiro um aroma irresistível que nos faz despertar as papilas gustativas.

José Oliveira, mais conhecido por Zé da Tripa, e a mulher, Maria do Carmo, são quem faz as delícias dos aveirenses e de gulosos de passagem, a Bolacha Americana e a Tripa, doces já considerados tradicionais portugueses.

Confeccionam a massa a partir de ingredientes 100% naturais – farinha, ovos, açúcar e “mais um segredo que não revelam” (nós achamos que é amor) e cozinham-na numa máquina de ferro quente que atinge cerca de 300ºC.

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O sogro de José Oliveira enquanto preparava uma bolacha americana na tradicional chapa de ferro.

Tudo começou há cerca de 70 anos, na Costa Nova, com a família de Maria do Carmo que produzia e vendia as Bolachas Americanas numa barraquinha situada na marginal da ria e também pelas praias do concelho de Ílhavo, transportadas em latas enormes suspensas por cintas de colocar às costas.

São muitas as gerações que guardam na memória este cenário: vendedores vestidos de branco a caminhar pelas praias, horas a fio, sob o sol e ao sabor do vento (ou contra ele), carregados com bolachas americanas para todos os veraneantes. Imagine-se o peso e o esforço! Ainda é uma prática comum e praia sem homem da bolacha não seria a mesma coisa.

A primeira barraca onde se vendiam as Bolachas Americanas, na Costa Nova.
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Transporte de Bolachas Americanas para venda nas praias do Concelho de Ílhavo.

José Oliveira viu neste negócio um grande futuro e diz “como a mãe não me dava a receita, casei com a filha!”. A partir daqui, experimentou cozer menos a massa da bolacha, ao estilo dos crepes franceses. José testou e os clientes aprovaram. Nasceu assim o Zé da Tripa e com ele a Tripa do Zé.

Inicialmente era confeccionadas na forma de tiras de massa esticada, formato este que deu o nome ao doce por se parecer com uma tripa, dada a sua textura. Depois começou a ser apresentada em forma de trouxa,  que podia ser simples ou recheada com os típicos ovos moles ou chocolate em barra (tal como as bolachas). Posteriormente ganhou a forma que conhecemos hoje em dia. Entretanto, foram feitos alguns acertos à receita original, até chegar ao rico e único sabor que hoje conhecemos.

Actualmente, a tripa pode ser bem ou mal passada e guarnecida com todo o tipo de recheio, como queijo, fiambre, doce, Nutella, Kinder… Passou a fazer parte da identificação cultural de sucessivas gerações aveirenses. O próprio negócio já passou para os filhos de José, Joana e Miguel Oliveira, que continuam a inovar a marca e a instituição. Hoje encontramos barraquinhas do Zé da Tripa espalhadas um pouco por todo o país seja em barraquinhas ou em inúmeros eventos culturais, graças à recente aquisição da carrinha do Zé da Tripa, tão vintage que respira tradição.

Agora, além dos locais habituais de Aveiro, podemos assistir, em vários sítios, a filas sem fim de clientes ansiosos por uma tripa ou uma bolacha americana. Todas as lojas fixas do negócio são fornecidas com os ingredientes preparados pela família e transportados em condições de refrigeração que garantem a qualidade do produto.

A evolução do quiosque do Zé da Tripa na Costa Nova do Prado.
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O incrível aspecto da Tripa de Chocolate.

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