Como surgiram as Tripas à Moda do Porto – com receita e melhores restaurantes para degustar! Ou porquê que os habitantes do Porto são apelidados de Tripeiros?

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Ninguém passa indiferente a um dos pratos mais especiais da cidade do Porto, as famosas Tripas à Moda do Porto.

Foi em 1415 que tudo começou!

Conta-se que foi no estaleiro de Lordelo do Ouro, onde se construíram as naus e os barcos que haveriam de levar os portugueses em direção a Ceuta e, mais tarde, à epopeia dos Descobrimentos Portugueses.

História das tripas à moda do Porto

Muitos e variados eram os boatos acerca deste feito: uns diziam que as embarcações eram destinadas a transportar a Infanta D. Helena a Inglaterra, onde mais tarde se casaria; outros diziam que era para levar El-Rei D. João I a Jerusalém para visitar o Santo Sepulcro; mas havia ainda quem afirmasse a pés juntos que a armada se destinava a conduzir os Infantes D. Pedro e D. Henrique a Nápoles, para se casarem…

Foi então que o Infante D. Henrique, inesperadamente, apareceu no Porto para controlar o andamento dos trabalhos no estaleiro. Mesmo satisfeito com o trabalho realizado, achava que se poderia ter feito mais, e confidenciou ao mestre Vaz, o fiel encarregado da construção, as secretas e verdadeiras  razões que estavam na sua origem: a conquista de Ceuta.

Pediu a todos os intervenientes mais empenho e sacrifício e, por sua vez, o mestre Vaz, assegurou ao Infante que fariam o mesmo que tinham feito cerca de trinta anos atrás aquando da guerra com Castela… os habitantes aprovisionariam os barcos com tudo o que tinham na cidade, oferecendo toda a carne limpa aos que partiriam em direção à costa africana e ficariam apenas com as vísceras dos animais, as tripas. Chegada a fome, assim o fizeram, criando um prato muito pobre, apenas composto de tripas e pão escuro.

Mas nem por isso as pessoas do Porto ficaram a sofrer, pois inventaram uma maneira de cozinhar as tripas e este sacrifício valeu-lhes valente a alcunha de “tripeiros”.

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Comovido, o infante D. Henrique disse-lhe que esse nome de “tripeiros” era uma verdadeira honra para o povo do Porto.

A História de Portugal registou mais este sacrifício invulgar dos heróicos “tripeiros” que contribuiu para que a grande frota do Infante D. Henrique, com sete galés e vinte naus, partisse a caminho da conquista de Ceuta.

Na verdade, existem outras histórias para a explicação do nascimento das Tripas à moda do Porto. Inclusivé houve quem dissesse que os barcos não iriam para Ceuta, mas sim para Itália, por causa dos casamentos do Infante D. Henrique e de D. Pedro.

A lenda mais antiga pertence ao século XII e relata que o prato terá surgido quando o Bispo do Porto decidiu apoiar a frota das Cruzadas.

Mas existe ainda quem defenda que a história centra no Cerco do Porto, em 1832 onde se sabe que realmente houveram vários problemas no centro da cidade e a fome ia crescendo. Como truque para superar a falta de alimentos, as pessoas inventaram a receita dos miúdos porque não tinham carne.

Mas convenhamos que a lenda dos descobrimentos é a que teve maior aceitação.

ORIGINALIDADE DA RECEITA

Na verdade, apesar de existirem, pelo mundo fora, várias receitas que utilizam as tripas, só no Porto é que a alcunha dos nascidos da cidade coincide com o prato típico.

Desengane-se se pensa que a receita que chegou aos dias de hoje é a original. Obviamente que a receita sofreu evolução ao logo dos tempos, pois o feijão apenas chegou à Europa no século XVII. Até aí, as tripas eram servidas estufadas em fatias de pão.  Sabe-se também que a venda de tripas não era permitida em toda a cidade. Cada freguesia do centro histórico teria, pelo menos, dez vendedores que não podiam andar pelas ruas, e apenas podiam vender em locais limpos e arejados.

É TRADIÇÃO COMER TRIPAS À MODA DO PORTO À QUINTA-FEIRA

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Ainda hoje, nos restaurantes da cidade, o mais habitual é encontrar Tripas à Moda do Porto nas ementas à quinta-feira. E porquê este dia? Segundo a Associação de Fressureiras do Porto,  quinta-feira era o dia de pagamento de quotas.

Contudo, o Sr. Fernando, responsável pelo Talho de S. Domingos, defende que as “donas de casa” compram tripas principalmente ao fim-de-semana para refeições familiares, por ser um prato de muita fartura.

RECEITA TÍPICA DAS TRIPAS À MODA DO PORTO

Deixemo-nos de histórias e vamos aqui deixar-vos, como são confeccionadas as tripas:

Receita Típica das Tripas à Moda do Porto - de acordo com a Confraria Gastronómica das Tripas à Moda do Porto

Primeiramente, para lavar as tripas não é preciso grandes floreados, assegura o talhante Sr. Fernando. “Basta água e sal. Mas têm de ser muito, muito bem lavadas!” 
E ainda nos deixa um segredo: “As tripas ficam melhores uma semana depois. Experimentem congelar e servir na semana a seguir.”
Prep Time30 mins
Active Time1 hr 30 mins
Total Time2 hrs
Course: Prato principal
Cuisine: Portugal
Keyword: Dobrada, Porto, Prato Típico, Tripas
Yield: 4 pessoas
Cost: 25€

Materials

  • 400 gramas Feijão Manteiga demolhado
  • 500 gramas Dobrada de Vitela sola e folhada
  • 1 Chispe de Porco
  • 1/2 Mão de Vitela
  • 200 gramas Presunto gordo
  • 200 gramas Salpicão
  • 1/2 Galinha
  • 1 Chouriço de Carne
  • 2 Folhas de Louro
  • 3 Dentes de Alho
  • 200 gramas Cebola
  • 1 Cenoura média
  • 1 decilitro Azeite
  • 1 colher de sopa Banha de Porco
  • 1 colher de chá Colorau
  • 2 Cravinhos da Índia
  • 1 conher de chá Cominhos em pó
  • 1/4 molho Salsa inteira
  • Sal e Pimenta preta moída q.b.

Instructions

  • Lavam-se as tripas muito bem e esfregam-se com sal e limão. Cozem-se em água com sal até estarem tenras. Limpe a mão de vitela e coza-a separadamente. Noutro recipiente coza as restantes carnes e o frango. Estas carnes retiram-se à medida que vão estando cozidas.
  • Coze-se o feijão , que já está demolhado, com a cenoura às rodelas e metade da cebola aos gomos.
  • Pica-se a restante cebola e põe-se a refogar na banha. Juntam-se todas as carnes cortadas em bocados (incluindo as tripas, frango, enchidos, etc). Deixa-se apurar um pouco e introduz-se o feijão. Tempera-se com sal, o cravinho, o colorau, a pimenta preta moída na hora, o louro, a salsa e os cominhos. Deixa-se apurar bem.
  • Retira-se a salsa e serve-se em terrina de porcelana ou barro, polvilhado segundo o gosto, com cominhos ou salsa picada e acompanhado com arroz branco seco.
  • Bom apetite!

MELHOR RESTAURANTE PARA COMER TRIPAS À MODA DO PORTO

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Viaje até aos tempos antigos e sinta-se um verdadeiro tripeiro!

O que é o Home Staging e para que serve? O Home Staging pode ajudá-lo a impulsionar a venda do seu imóvel

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Apesar do nome pomposo, o Home Staging é muito mais simples do que parece!

Home Staging significa encenação e serve para enaltecer os pontos positivos de um imóvel. É, acima de tudo, uma técnica de marketing imobiliário que pode ajudar a vender o seu imóvel mais rapidamente e por um valor superior.

O Home Staging (ou encenação de imóveis) já está implementado em vários países ocidentais há mais de 30 anos. Em Portugal, é uma técnica inovadora e já apresentou resultados muito positivos. Fomos fazer uma formação com a expert Rita de Miranda e voltámos cheios de vontade de pôr em prática este conhecimento tão valioso.  Saiba o que é o Home Staging e para que serve.


«PORQUE NÃO CONSIGO VENDER O MEU IMÓVEL?»

Se está a tentar vender o seu imóvel – do qual tanto gosta – e não percebe porque ninguém o quer comprar, saiba que há inúmeras razões para tal acontecer. Entre algumas destas razões, encontram-se cinco muito importantes e sobre as quais lhe vamos falar.

  1. O SEU APEGO PELO IMÓVEL
    Explicamos porque o seu consultor imobiliário insiste em chamar a sua habitação de “imóvel” e não de “casa”. Acontece que, para si, o espaço que pretende vender é a sua casa, onde guarda os seus pertences e memórias, onde cada canto reflecte cada pedaço de si. Para o resto do mundo, o que está à venda é um imóvel e é disso que os potenciais compradores estão à procura.

O cliente comprador não tem qualquer afinidade com a sua habitação e o que procura é um espaço que lhe desperte emoções privadas e positivas, onde consiga imaginar-se a viver.

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Antes e depois do Home Staging.

Ora, naturalmente, se o seu imóvel está repleto de objectos pessoais e a decoração está feita ao seu gosto, é possível que o potencial comprador sinta um desapego em relação ao imóvel caso não se identifique  com os seus pertences. Isto acontece muitas vezes porque os clientes têm alguma dificuldade em projectar o potencial do imóvel perante este obstáculo.

Curiosamente, apenas 10% dos clientes compradores tem a capacidade de se abstrair do recheio e condições de um imóvel e de conseguir realmente visualizar o seu potencial. Os restantes 90% bloqueiam quando se deparam com algo que não lhes agrada. Ao mínimo detalhe incompatível, o visitante vai reagir insconscientemente à emoção despertada e vai imediatamente recuar!

Conselho valioso: tenha sempre em conta que o que vai vender é o seu imóvel. A sua casa (lar) vai consigo para a sua nova morada. As fotografias, lembranças, mobílias, têxteis e outros objectos pessoais não vão ser vendidos com o imóvel! Pense que é de um negócio que está a tratar e a rapidez e valor obtido são as suas principais motivações. 

  1. O IMÓVEL ESTÁ DESABITADO MAS AINDA SE ENCONTRA MOBILADO

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Esta é uma situação parecida com a descrita no ponto 1, à excepção de que ninguém habita o imóvel e este se encontra fechado e sem respirar. O recheio da casa costuma ser antiquado e/ou nada adequado às suas funções. Ao passo que num imóvel habitado o visitante ainda consegue imaginar como é viver nele, mesmo que não lhe agrade o cenário, no caso de um imóvel não habitado a primeira emoção sentida é a de rejeição. Muitas vezes, parece até que o imóvel foi transformado num museu em honra de quem o habitou. Não é isto que um cliente quer quando procura uma nova morada!

  1. O IMÓVEL ENCONTRA-SE TOTALMENTE DESPIDO
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Antes e depois do Home Staging.

A noção de espaço num imóvel vazio é difícil de entender para a maioria das pessoas. E muitas vezes, uma divisão vazia parece mais pequena do que na realidade é. Ponha-se no lugar do visitante e faça um inventário mental da sua mobília. De seguida, imagine-a distribuída pelas várias divisões do imóvel vazio. Que experiência retira deste ensaio? O mais provável é encher-se de dúvidas quanto à correcta distribuição dos mesmos e ao volume ocupado por cada móvel. Esta experiência pode demover os visitantes e levá-los a desisitir  da compra.

Em ambos os pontos 2 e 3, compreendemos que, para si, o principal transtorno passa pela despesa que o imóvel inabitado lhe está a dar. Se fizer as contas, quanto está a gastar anualmente pelo imóvel que pretende vender? Some o Imposto Municipal sobre o Imóvel (IMI) + 12 mensalidades do banco (se ainda estiver a pagar o imóvel) + seguros + 12 meses de condomínio (no caso de existir) + 12 meses de contas de água e luz. Que resultado obteve? Quanto pensa que gastaria se efectuasse pequenos upgrades ao imóvel para o tornar mais apelativo ao público em geral? Mais abaixo iremos explicar como o Home Staging pode ajudá-lo a economizar e, no final de tudo, a vender o seu imóvel três vezes mais depressa e de acordo ou acima do seu valor de mercado.

  1. O IMÓVEL PRECISA DE REPARAÇÕES

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O que para si já se tornou tão habitual que já nem lhe faz confusão, para o visitante pode ser uma das causas que o leve a desistir da compra ou de querer baixar o valor da proposta. Uma torneira a pingar, uma fissura na parede, um rodapé ligeiramente descolado, uma porta que chia ao abrir e fechar. Estas são pequenas reparações que pode fazer e que irão fazer muita diferença. O potencial comprador vai ter atenção a todos os pormenores. Como sabe, é uma decisão muito importante na vida de alguém.

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Antes e depois do Home Staging.

Outra situação menos fácil de resolver (mas não necessariamente dispendiosa) é a de problemas estruturais e de acabamento. Tubagens fora das paredes, revestimentos em mau estado ou antiquados, pavimentos maltratados, janelas que vedam mal, manchas e cheiros de humidade… é uma lista extensa de possibilidades que vão causar má impressão ao visitante e levá-lo a propor um valor muito abaixo do pretendido se, antes disso, não desistir da compra.

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  1. O IMÓVEL ESTÁ A PEDIR UMA LIMPEZA e/ou ARRUMAÇÃO PORMENORIZADA (ao estilo “limpeza da Primavera”)

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Reforçando o facto do visitante querer imaginar-se a viver no ambiente que visita é de esperar que o resultado seja pouco positivo quando visita um imóvel com pó, detritos, cheiros desagradáveis, janelas sujas, paredes manchadas e/ou objectos indiferenciados espalhados desordenadamente. Ninguém consegue desbloquear o prazer que será habitar um imóvel que vai dar muito trabalho a limpar e/ou arrumar. O que o comprador pretende é entrar na nova habitação com os seus pertences, não ter de o limpar a fundo e/ou retirar objectos do anterior proprietário.

Lembre-se que o comprador pretende conhecer o verdadeiro potencial da casa, indo de encontro imediato aos pontos positivos do imóvel. Assim que se depara com entraves de sujidade e desarrumação, poderá não conseguir focar-se no que realmente lhe interessa.

A presença de animais de estimação no momento da visita também pode causar transtorno e, nalguns casos, repugnação ao visitante. Há que assumir que nem todas as pessoas apreciam animais de companhia, porque têm alergias ou porque não gostam do cheiro ou, simplesmente, porque não. É uma realidade que deve ser respeitada. Mais vale tentar vender o seu imóvel a alguém que não quer animais do que não vender de todo, certo? Para isso é necessário que, nos momentos de visita ao imóvel, os animais de estimação sejam retirados de cena, juntamente com todos os seus acessórios (caixas de areia, camas, tigelas, arranhadores…). Também os cheiros devem ser eliminados. Mais abaixo referimos truques simples para o efeito.


«MAS AFINAL O QUE É O HOME STAGING E PARA QUE SERVE?»

Pelo decorrer deste artigo já deve ter percebido que Home Staging é uma forma de dar a volta às situações acima referidas. E está certíssimo! Home Staging é um termo vindo da América do Norte, implementado no marketing imobiliário ocidental há mais de 30 anos. Tem como objectivo preparar o imóvel, como o próprio nome indica, para o vasto mercado imobiliário e, face ao mesmo, destacá-lo perante a concorrência. Desta forma cria condições que poderão contribuir para acelerar a venda e ainda manter ou aumentar o valor do imóvel!

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Antes e depois do Home Staging.

O Home Staging chegou a Portugal há mais ou menos uma dezena de anos e  está agora em voga porque passou a ser reconhecido como uma técnica eficaz que contribui em muito na venda dos imóveis face à  concorrência.

Até agora, os consultores imobiliários empenharam-se em angariar imóveis e encontrar potenciais compradores para os mesmos. Ficava de parte a preparação do imóvel para desencadear as visitas e diminuir o tempo de venda. Com o aumento da concorrência e a tendência para uma maior preocupação com a estética dos interiores aliada ao bem estar emocional, tornou-se pertinente esta fase intermediária, a da preparação ou encenação do imóvel.

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Antes e depois do Home Staging.

Repare que Home Staging não é Design nem Decoração de Interiores. Home Staging envolve, principalmente, a função de criar ambientes genéricos, despersonalizados, que frisem a utilidade de cada divisão da casa. Com isto, o visitante vai conseguir situar-se no imóvel com mais facilidade e deixar que as suas emoções, em conjunto com as suas necessidades, o conduzam a uma decisão final. Por isto, o Home Staging deve respeitar um recheio o mais neutro possível. Até porque nunca sabemos quem virá visitar o imóvel. Pode ser alguém solteiro, casado, com ou sem filhos, mais novo, mais velho, com variados tipos de interesses e gostos muito diferentes dos seus.

O investimento que fizer em Home Staging poderá reflectir-se no valor final do imóvel e no tempo de venda do mesmo. Só sai a ganhar!

É muito importante não colocar o gosto pessoal sobre o essencial. Fotografias pessoais, pinturas vibrantes, peças de arte extravagantes, têxteis muito coloridos, mobiliário bizarro e fora do contexto e outros objectos de gosto pessoal… tudo o que compõe a sua vida privada e gosto pessoal deve ser guardado no momento das visitas.

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Antes e depois do Home Staging.

O imóvel deve cheirar bem e ter ar fresco. Entrar num ambiente desconhecido deixa-nos sempre num inconsciente estado de alerta. Quanto mais acolhedor for o ambiente, mais confortáveis e relaxados nos sentiremos. Deve lembrar-se sempre de arejar a habitação antes da chegada do visitante e, de preferência, emanar um aroma natural e agradável por todas as divisões. Cheiros de frutas e bolinhos acabados de fazer são uma boa aposta porque agradam a maioria das pessoas e despertam memórias boas.

As casas de banho são, por vezes, esquecidas na preparação do imóvel para visitas. Na nossa experiência, nos casos em que os imóveis estão habitados, encontramos regularmente objectos de higiene pessoal dispostos um pouco por toda a divisão. E naturalmente sentimos cheiros característicos do uso de uma casa de banho. É muito fácil contornar este cenário. Guarde as escovas de dentes, o fio dental, o algodão, os frascos de champô e gel de banho, o secador… Deixe os sanitários a brilhar. Troque as toalhas e disponha-as na perfeição. Desinfecte a sanita e feche a tampa. Brinde a sua casa de banho com um a três (no máximo) objectos decorativos, como uma planta, um sabonete novo e uma vela.

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Antes e depois do Home Staging

Se perceber que os revestimentos e sanitários da sua casa de banho estão em mau estado ou estão muito desactualizados, pondere a possibilidade de fazer uma remodelação. Hoje em dia encontra materiais excelentes a preços muito confortáveis. Esta remodelação vai fazer toda a diferença na valorização do imóvel e vai agradar à maioria dos visitantes.

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Antes e depois do Home Staging.

cozinha também é outra divisão que costumamos encontrar em desarmonia com a expectativa. Compreendemos que, caso esteja a habitar o imóvel em questão, seja uma área de uso intenso e constante. No entanto, o visitante precisa de analisar todos os pormenores da cozinha e não irá sentir-se à vontade se tiver de afastar electrodomésticos e utensílios de bancada ou abrir armários (repletos de objectos) para ver as condições do mobiliário. Mais uma vez é importante reforçar a principal função da divisão que, neste caso, é alimentar e, de preferência, de forma saudável.

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Antes e depois do Home Staging.

Limpe as bancadas, retire a torradeira, a tosteira, o robot de cozinha, o micro-ondas, o fervedor eléctrico… e arrume num local discreto mas onde consiga aceder facilmente. Deixe apenas um prato ou fruteira com fruta fresca, um jarro com flores ou uma planta. Limpe e organize o frigorífico e coloque lá dentro metade de uma cebola ou uma casca de limão para neutralizar os cheiros. Se tiver mesa, esvazie a sua superfície e, se quiser, coloque louça de pequeno almoço.

Se os revestimentos e movéis de cozinha estiverem em mau estado ou a precisar de remodelação, invista. Tal como a casa de banho, a cozinha costuma ser um factor decisivo na escolha de um imóvel. É possível que vá ser uma divisão com muito uso e que exige um ambiente confortável e funcional. Se alguma porta chia, uma torneira pinga, uma janela ou persiana fecha mal, rectifique. Se os móveis são muito antigos e uma boa pintura pode dar-lhes uma cara nova e bonita, pinte-os. Se os azulejos estiverem a pedir reforma, pinte-os também ou coloque um revestimento actual e neutro. O cliente vai ter uma reacção muito mais positiva se se deparar com uma cozinha cuidada, organizada e funcional.

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Antes e depois do Home Staging.

Na sala de estar, deixe ficar apenas o que faz desta divisão aquilo que ela é. Sofá, móvel de apoio, candeeiro, quadro ou espelho, almofadas e alguns livros, uma planta para trazer a natureza para dentro do imóvel, um tapete se ajudar a complementar o ambiente. A disposição dos elementos deve permitir a fluidez na circulação pela sala. As principais mais valias, como uma lareira, devem ser alvo de atenção.

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Na sala de jantar, espaço destinado à refeição e ao convívio, deve manter a mesa e as cadeiras (se ocuparem a totalidade da mesa considere retirar algumas) com louça de refeição, um móvel de apoio, um centro de mesa, um candeeiro suspenso, um espelho ou quadro e um jarro com flores. Se houver algum móvel louceiro muito grande e que ocupe muito espaço, pondere retirá-lo ou, se possível, deixar apenas a parte de baixo.

 

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Antes e depois do Home Staging.

Os quartos também devem transparecer a função a que se destinam, descansar e dormir. Num quarto de casal, uma cama para dois. Num quarto de solteiro, uma cama individual. Cama, têxteis neutros, mesa(s) de cabeceira(s), candeeiro suspenso e candeeiro(s) de mesa(s), camiseiro ou cómoda, armário (se couber), um livro e um jarro serão suficientes para recriar o ambiente pretendido. Isto e uma cama bem feita! Um espelho e uma cadeira, se o quarto for muito grande, pode ajudar a compor o espaço.

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Antes e depois do Home Staging.

Uma casa pode ter mais divisões, não referidas nas soluções de Home Staging descritas acima. O importante é ter em conta que o objectivo é reforçar a função para o qual o ambiente criado se destina.

Paredes com cores vibrantes ou papéis de parede berrantes podem demover o visitante só porque este não se identifica com o estilo. Lembre-se que as cores neutras são sempre as melhores escolhas. Brancos, cinzas e beges são boas apostas, desde que bem equilibradas. Pintar as paredes da casa, tapar possíveis fissuras e antigos furos são convenientes na preparação do seu imóvel para venda. Estes tons também podem e devem ser aplicados na escolha dos têxteis a aplicar no imóvel.

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iluminação é um apontamento muito importante. A luz natural, em conjunto com a iluminação artificial, é um factor chave para a noção de amplitude dos espaços. Em todas as visitas ao imóvel, as luzes devem estar acesas e com luzes quentes. O tom das lâmpadas vai conferir conforto à habitação. Por isso, escolha tons amarelados. Aquelas lâmpadas frias, de tom branco, são utilizadas, por exemplo, em negócios onde se pretende que o cliente não se demore, precisamente por não ser um tom acolhedor. Posto isto, lembre-se que, se posível, é importante ter um contrato de luz activo, de forma a conseguir criar um ambiente confortável e bem iluminado. Além da iluminação artificial, tenha os vidros bem limpos e os cortinados abertos. Só os deve fechar caso a vista para o exterior seja desagradável. Ainda assim, escolha têxteis claros para as janelas, de forma a permitir ao máximo a entrada de luz natural.

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Antes e depois do Home Staging.

E o que fazer às peças de mobiliário e acessórios decorativos e pessoais que não vai precisar durante o processo de Home Staging? Há várias formas de conseguir armazenamento para estas peças. A garagem de um familiar ou amigo, um pedaço de um armazém, o aluguer de um espaço para o efeito. Existem empresas de mudanças que alugam espaços (boxes) de armazenamento temporário a preços convidativos. Se os objectos pessoais não ocuparem muito espaço, pode empacotá-los em caixas de cartão e guardá-los, de forma organizada, dentro de um armário.

Se o imóvel que tem para venda ou arrendamento não se encontra habitado, é provável que este se encontre desprovido de mobiliário. No caso de imóveis vazios, também há formas de dar a volta. Existem empresas que alugam mobiliário e, pela internet, encontra quem venda mobiliário usado a preços acessíveis. Por vezes, é necessário retocar algumas peças mas, com pouca mão de obra, conseguem-se resultados muito satisfatórios que em conjunto com os objectos decorativos certos, recriam ambientes perfeitos de Home Staging. Também pode optar por usar mobiliário seu. Lembre-se que será uma situação temporária e que em breve poderá usufruir novamente das suas mobílias e têxteis.

FAÇA AS CONTAS
Já foi referido que o Home Staging é uma estratégia que poderá acelerar a venda e acrescer valor ao imóvel. É certo que terá de dispender algum dinheiro e tempo para concretizar um projecto destes. Mas fazendo as contas, o objectivo vai justificar esta dedicação. Mais acima, falámos das despesas inerentes a um imóvel (IMI+ Mensalidades banco(se ainda está a pagar o imóvel)+ Seguros+ Condomínio(quando aplicável)+Despesas com água e luz. Se este se encontra desabitado, as despesas duplicam. Está a ter gastos com a sua actual residência e ainda com o imóvel que tem para venda. Some todas as despesas que vai ter durante 6 meses a um ano (o tempo que pode vir a demorar a vender o imóvel ou mais). Pondere se se justifica gastar esse ou muito menos dinheiro em melhorias ao imóvel, de forma a tentar vendê-lo mais depressa e a rentabilizar o seu investimento.

CONCLUSÃO
Como pode ver, o Home Staging não é nada de complicado. É, acima de tudo, uma técnica de marketing para potenciar a venda ou aluguer de imóveis. Da próxima vez que o seu consultor imobiliário lhe sugerir esta solução, pondere bem, porque o que ele lhe está a propôr é reflexo de uma grande preocupação para consigo e com o sucesso do seu negócio.

Porque compreendemos a urgência que tem na venda do seu imóvel, teremos todo o prazer em ajudá-lo a vender o seu, aconselhando-o com o nosso know-how. O nosso objectivo é ajudá-lo a poupar o seu tempo e o seu dinheiro da forma mais eficaz.


Contacte-nos por telefone +351914007660 ou por e-mail geral@ville.pt ou visite o nosso website em www.ville.pt

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Villè Aveiro – Rua José Afonso, 5, 3800-438 Aveiro | AMI12479

 

Morgado do Bussaco Receita infalível para o Natal

morgado do Bussaco doce com ovos moles

O Morgado do Bussaco nasceu no Palace Hotel da serra do Bussaco. É o doce mais procurado da zona da Bairrada.

O Morgado do Bussaco é composto por camadas de panquecas gigantes, feitas à base de claras de ovo em castelo, açúcar amarelo (aqui substituído por tâmaras), mel, nozes moídas e amido de milho, intercaladas com ovos moles de Aveiro. Os sabores predominantes são o das nozes, dos ovos e do mel, bem natalícios, por sinal.

Receita

  • 200g de tâmaras hidratadas em 200ml de água quente
  • 8 ovos
  • 200g de miolo de noz + 2 mãos cheias para a cobertura (decoração)
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 3 colheres de sopa de amido de milho
  1. Coloque as tâmaras a demolhar em água quente por 15 minutos. Triture (com um pouco da água que usou para demolhar) até ter um creme macio.
  2. Separe as claras das gemas. Reserve as claras numa tigela grande para posteriormente bater e as gemas num tacho.
  3. Junte 8 colheres de sopa de creme de tâmaras e 8 colheres de sopa de água às gemas, bata bem e leve a lume brando, mexendo com frequência, até engrossar (cozer as gemas). Reserve este creme.
  4. Reduza o miolo de noz a farinha (cuidado para não entrar em manteiga).
  5. Aqueça o forno a 160ºC.
  6. Bata as claras em castelo. Acrescente o amido de milho, o restante creme de tâmaras (são cerca de 8 colheres de sopa que restam) e continue a bater em potência mínima, apenas para misturar.
  7. Aos poucos junte a farinha de noz, sempre com a batedeira ligada em potência mínima. Quando a massa estiver pronta, prove e ajuste a doçura com mel.
  8. Forre um tabuleiro de forno com papel vegetal.
  9. Neste tabuleiro, prepare discos de massa com cerca de 20 cm de diâmetro e leve ao forno 8 a 10 minutos. Com esta quantidade de ingredientes consegue fazer 4 panquecas
  10. Depois de arrefecer as panquecas, monte o bolo.
  11. Divida o doce de ovos em 4 partes (uma delas com um pouco mais de quantidade para a última cobertura).
  12. Coloque a primeira panqueca no prato de servir, barre com doce de ovos. De seguida, a segunda panqueca e mais creme de ovos e assim sucessivamente.
  13. Na cobertura final não é necessário tapar a lateral com ovos, o original não é tapado, apenas preencha espaços que estejam mais vazios.
  14. Pique a restante noz com uma faca, espalhe no topo e lados e sirva polvilhado com farinha de coco ou açúcar em pó.

Com esta receita de Morgado do Bussaco vai fazer um brilharete à mesa!

Feliz Natal!

Receita adaptada de receitasemenus.pt

A casa da Ana Patarrana Recomendo a Villè Aveiro, sei que trabalham bem!

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No belo dia em que me lembrei de colocar a minha casa à venda lembrei-me logo da Villè Aveiro e da Carla, com quem já tinha trabalhado noutro processo em que tudo tinha corrido bem.

Falei com ela, acordámos o valor de venda e qual não é o meu espanto quando 3 dias depois de colocarmos a casa à venda já tínhamos alguém interessado em visitá-la. No dia a seguir à visita tive a confirmação de que a pessoa queria mesmo comprar e assinar contrato promessa de compra e venda!

“Confiei tudo na Carla e tudo foi tratado por ela, rapidamente e sem qualquer problema para mim.”

Por isso é que recomendo a Villè Aveiro, sei que trabalham bem. Claro que nem todas as casas são vendidas em 3 dias como a minha, mas estão em boas mãos. Só tenho de agradecer à Carla por me ter apoiado em tudo.

Ana Patarrana

 

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Se está à procura de imobiliária em Aveiro e gostava de viver uma experiência positiva como a dos nossos clientes, entre em contacto com a Villè Real Estate!

A nova casa da Ana Costa A realização de um sonho!

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Quando procuramos casa, há imensos fatores a ter em consideração, desde localização, proximidade de serviços, área disponível, valor de mercado, com árvores de fruto, se tem boa disposição solar, etc.

A procura de casa é sempre um processo complexo, pelo simples facto de a escolha ter de atender a determinados requisitos que se impõem “obrigatórios” e outros aos quais podemos ceder.

A oferta de serviços de mediação imobiliária está em constante crescimento e é fácil encontrar uma agência ao virar da esquina, mas mais importante que a variedade de serviços, é trabalhar com profissionalismo, com valores que são mais importantes que o lucro de um negócio. Considero que são valores como a confiança, a ética, o rigor e a disponibilidade tão valiosos como a aquisição da casa per si.

“Após uma simples pesquisa de internet, cheguei ao contacto da Micaela Pereira, da agência Ville para obter mais informação de uma moradia que aparentemente teria os requisitos que procurávamos.”

 

Facilmente teve a perceção que o imóvel não se adequava às nossas necessidades, mas mesmo assim, efetuou a visita connosco. Fez uma check list dos pontos a considerar e a conversa fluiu.

Dias após o primeiro contacto, a Micaela telefonou para marcar visita a uma habitação que poderia corresponder às nossas expectativas.

“Confesso que fiquei impressionada com a forma de atuação: simples, dedicada, profissional, resiliente e simpática…”

Rapidamente foi elaborada uma proposta de aquisição, que deu origem a um contrato promessa compra e venda e posterior escritura.

“Ao longo de todo o processo, senti que fomos acompanhados, que nos deram os conselhos necessários quanto à escolha do crédito habitação, que nos alertaram para as regras que tinham acabado de sair em termos normativos, que houve transparência em todo o procedimento, foi certamente um negócio “win win” para todas as partes.”

Estou grata por todo o empenho aplicado na compra da minha casa, sinto que contribuíram para a realização de um objetivo pessoal, a escolha do meu lar de família.

 

 


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O Moliceiro – o que deve saber sobre o barco que não é uma Gôndola! Breve história do barco Moliceiro

O atual ícone da cidade de Aveiro é o barco Moliceiro. Quantos aveirenses saberão falar sobre esta elogiada e mundialmente reconhecida embarcação portuguesa? Segue-se uma breve história sobre um dos nossos ex-libris.

moliceiro gondola veneza de portugal

“Há-os com o costado por pintar, há-os todos negros, com o grande pescoço segui de cisne, no momento em que volta a cabeça para trás, e com um toque de vermelho no leme…” elogio de Raúl Brandão ao barco moliceiro.

O Moliceiro, como o seu nome indica, era um barco de trabalho utilizado para a apanha do moliço, uma alga aquática (agora escassa) utilizada para adubar os terrenos agrícolas de quase toda a região de Aveiro. O seu recurso predominava desde Ovar até Mira, variando as suas dimensões consoante a zona navegada.

moliceiro na apanha do molico

Correndo o risco de desaparecer devido à quase extinção do uso do moliço, o moliceiro foi recentemente preservado, alvo de uma metamorfose proporcionada por uma nova realidade económica. Reinventado como símbolo cultural da ria de Aveiro, é agora orientado pelo sector turístico.

É na Murtosa que estas criações nascem. Em média, são necessários cerca de 25 dias e 2 homens para a construção de um moliceiro. É essencialmente construído em madeira de pinheiro manso e bravo, espécie predominante na região de Aveiro. O seu tempo médio de vida é de 7 anos.

Actualmente há pouquíssimos construtores navais dedicados à construção de moliceiros. Um deles é João Herculano, da Murtosa, que diz ser um “trabalho difícil mas que vale a pena porque dignifica a embarcação e permite que não se perca esta memória”.

O barco moliceiro tem cerca de 15 metros de comprimento e 2,5m de largura. A sua borda baixa facilitava o carregamento do moliço, mas são as suas elegantes proa e ré que, com as suas pinturas, o distinguem das demais embarcações portuguesas. São decorados com pinturas que, apesar da técnica perene, abordam temas que que se alteram com os tempos. Estes motes são devidos às transições socio-culturais na História de Portugal.

As pinturas dos moliceiros são sempre compostas por texto e imagem. Começaram por ser uma espécie de jornal da Ria, uma plataforma para expressar a opinião e os acontecimentos entre as pessoas de Ovar, Murtosa, São Jacinto, Ílhavo, Mira… O que se passava nestas localidades era representado nestas pinturas. Eram e são uma forma de comunicação que relata a actualidade, homenageia figuras queridas ou satiriza outras indesejadas.

Antigamente, era o próprio construtor naval quem pintava os moliceiros. Depois, por questões de poupança, passaram a ser os proprietários a fazê-lo. Actualmente, é um trabalho encomendado a artistas da região que primam pela preservação desta tradição. Mas quase sempre, os seus autores permanecem em anonimato.

Marisa Carvas, professora de desenho, é uma das atuais pintoras que dão a mão ao “manifesto”. Conta que, geralmente, eram sempre duas as pessoas que pintavam os moliceiros. Este conjunto de pintores poderia resultar da parceria entre 2 homens, 2 mulheres ou um homem e uma mulher. Destas parcerias saía sempre um resultado distinto. No primeiro caso, a pintura seria um pouco machista, ao contrário do segundo caso. No terceiro caso, a pintura era sempre mais comedida. Quando eram os proprietários a decorar o barco, geralmente um casal, por vezes representavam-se a si mesmos. Se estavam zangados, o homem e a mulher surgiam de costas, se estavam bem, surgiam de frente. Faziam-se acompanhar por dizeres e representações algo “brejeiras”. Eis alguns exemplos:

Marisa Carvas é da opinião que os temas abordados podem e devem ser actualizados, acompanhar os tempos que correm, defendendo que a única coisa que deve ser respeitada e mantida são as próprias técnicas de construção e pintura utilizadas para que o barco não seja descaracterizado.

É, na verdade, o que tem vindo a acontecer. As várias temáticas abordadas abrangem conteúdos religiosos, burlescos, sociais, históricos e lúdicos, consoante a actualidade e o mediatismo. Comentam-se os trabalhos e as vidas dos envolvidos nas embarcações, as instituições e figuras públicas, as festas e cerimónias, os descobrimentos, os militares… As mais recentes pinturas falam, por exemplo, de equipas e jogadores de futebol, do fado, da política, da União Europeia, do Big Brother ou da crise económica… Nada escapa à visão crítica de um pintor de moliceiros!

“À CONVERSA COM UM PINTOR DE MOLICEIROS!”

Felizmente e graças a esta metamorfose, podemos admirar todos os dias o alegre passeio dos moliceiros nos canais urbanos da ria de Aveiro. Para o aveirense, esta paisagem já se tornou habitual mas, para quem nos visita, esta é uma bonita tela de inspiração que apaixona e faz da nossa uma cidade única!