Morgado do Bussaco Receita infalível para o Natal

morgado do Bussaco doce com ovos moles

O Morgado do Bussaco nasceu no Palace Hotel da serra do Bussaco. É o doce mais procurado da zona da Bairrada.

O Morgado do Bussaco é composto por camadas de panquecas gigantes, feitas à base de claras de ovo em castelo, açúcar amarelo (aqui substituído por tâmaras), mel, nozes moídas e amido de milho, intercaladas com ovos moles de Aveiro. Os sabores predominantes são o das nozes, dos ovos e do mel, bem natalícios, por sinal.

Receita

  • 200g de tâmaras hidratadas em 200ml de água quente
  • 8 ovos
  • 200g de miolo de noz + 2 mãos cheias para a cobertura (decoração)
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 3 colheres de sopa de amido de milho
  1. Coloque as tâmaras a demolhar em água quente por 15 minutos. Triture (com um pouco da água que usou para demolhar) até ter um creme macio.
  2. Separe as claras das gemas. Reserve as claras numa tigela grande para posteriormente bater e as gemas num tacho.
  3. Junte 8 colheres de sopa de creme de tâmaras e 8 colheres de sopa de água às gemas, bata bem e leve a lume brando, mexendo com frequência, até engrossar (cozer as gemas). Reserve este creme.
  4. Reduza o miolo de noz a farinha (cuidado para não entrar em manteiga).
  5. Aqueça o forno a 160ºC.
  6. Bata as claras em castelo. Acrescente o amido de milho, o restante creme de tâmaras (são cerca de 8 colheres de sopa que restam) e continue a bater em potência mínima, apenas para misturar.
  7. Aos poucos junte a farinha de noz, sempre com a batedeira ligada em potência mínima. Quando a massa estiver pronta, prove e ajuste a doçura com mel.
  8. Forre um tabuleiro de forno com papel vegetal.
  9. Neste tabuleiro, prepare discos de massa com cerca de 20 cm de diâmetro e leve ao forno 8 a 10 minutos. Com esta quantidade de ingredientes consegue fazer 4 panquecas
  10. Depois de arrefecer as panquecas, monte o bolo.
  11. Divida o doce de ovos em 4 partes (uma delas com um pouco mais de quantidade para a última cobertura).
  12. Coloque a primeira panqueca no prato de servir, barre com doce de ovos. De seguida, a segunda panqueca e mais creme de ovos e assim sucessivamente.
  13. Na cobertura final não é necessário tapar a lateral com ovos, o original não é tapado, apenas preencha espaços que estejam mais vazios.
  14. Pique a restante noz com uma faca, espalhe no topo e lados e sirva polvilhado com farinha de coco ou açúcar em pó.

Com esta receita de Morgado do Bussaco vai fazer um brilharete à mesa!

Feliz Natal!

Receita adaptada de receitasemenus.pt

Ovos Moles de Aveiro – do Mosteiro para o resto do mundo. Uma história com mais de 500 anos!

Ovos-moles-aveiro

Foi graças à produção da cana-de-açúcar na Madeira e ao feudalismo vivido no século XV que o Convento de Jesus de Aveiro, actual museu Santa Joana, começou a produção dos mundialmente famosos Ovos Moles de Aveiro. Como?

Um contrato assinado pelo Infante D. Henrique e o capitão Diogo de Teive, em 1452, ditava que um terço da produção do açúcar madeirense se destinaria à coroa. Uma parte deste “bolo” seria entregue como “esmola” a várias instituições, entre elas, o Convento de Jesus de Aveiro (1502).

Aqui, o açúcar era destinado à botica (farmácia) para medicamentos e como fonte de energia para os acamados.

Com o uso de claras de ovos para engomar os hábitos das freiras, sobravam muitas gemas que rapidamente se deterioravam. Para contornar esta situação, as freiras adicionavam-lhes este açúcar para lhes conferir maior durabilidade. Com aperfeiçoamento e dedicação chegaram ao doce perfeito, os Ovos Moles.

Não se sabe exactamente em que data o famoso doce foi concebido, mas supõe-se que a sua introdução em formas de hóstia seja da autoria das freiras do mosteiro, uma vez que são feitas com a mesma matéria-prima das hóstias utilizadas nas celebrações litúrgicas.

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Em 1874, o falecimento da última religiosa que ainda habitava o mosteiro deu lugar à extinção desta ordem religiosa. É a partir daqui que a sua empregada, D. Odília Soares, única herdeira da receita, começa a fazer os ovos moles fora do mosteiro e a passar o seu conhecimento a outros.

Hoje encontram-se Ovos Moles em barricas de madeira, cuidadosamente esculpidas e pintadas à mão, e em formas de hóstia cujos moldes remetem à actividade piscatória de Aveiro e respectiva proximidade com o mar.

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São o doce mais procurado da região e a sua exclusividade já mereceu, pela primeira vez em Portugal, a denominação Indicação Geográfica Protegida (IGP) pela União Europeia.

Foi também fundada em Aveiro, em 2009, a Confraria dos Ovos Moles de Aveiro, dedicada a manter toda a tradição e qualidade deste doce. Hoje em dia, qualquer produtor e vendedor certificado de Ovos Moles tem passar pela avaliação desta confraria.

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A Confraria dos Ovos Moles de Aveiro inaugurou, em Outubro de 2016, um Monumento aos Ovos Moles de Aveiro, situado no Cais da Fonte Nova. Esta escultura, em porcelana, foi criada pelo escultor Albano Martins em parceria com a Vista Alegre e com a edição de um livro dedicado a este tema cuja introdução teve a honra de receber as palavras de Valter Hugo Mãe.

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Em 2012, a Universidade de Aveiro, em parceria com a Associação de Produtores de Ovos Moles de Aveiro (APOMA), levou a cabo uma investigação que provou que este doce pode ser ultracongelado durante e até 4 meses. Como consequência desta descoberta, deu-se início à exportação e internacionalização dos Ovos Moles. Excedeu-se assim o limite de 15 dias de conservação a que este produto podia ser sujeitado. Se até então eram produzidas, anualmente, cerca de 200 toneladas de Ovos Moles, depois desta descoberta este número aumentou imenso, tal como o número de postos de trabalho dedicados à sua produção. E Portugal e o resto do mundo agradecem!

Os Ovos Moles são apreciados de variadíssimas maneiras. Como recheio de vários bolos e sobremesas, com gelado, com café, à colherada, com frutos secos, na tripa e na bolacha americana, em licor… É só dar asas à imaginação!

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Deixamos aqui uma receita base. Ser fiel à mesma ou acrescentar-lhe a sua criatividade? O céu é o limite!

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Ovos Moles de Aveiro

Ingredientes
12 gemas
12 colheres de sopa de açúcar
12 colheres de sopa de água

Modo de preparação
1.Coloque as gemas, o açúcar e a água num tacho e leve ao lume.
2.Mexa sempre até o creme espessar e, de seguida, deixe arrefecer.


Agora fica a dúvida, se antigamente havia excedente de gemas de ovo por ser dada maior utilidade às claras, o que acontece agora ao excedente de claras por ser dada maior utilidade às gemas do ovo?