Ninguém passa indiferente a um dos pratos mais especiais da cidade do Porto, as famosas Tripas à Moda do Porto.
Foi em 1415 que tudo começou!
Conta-se que foi no estaleiro de Lordelo do Ouro, onde se construíram as naus e os barcos que haveriam de levar os portugueses em direção a Ceuta e, mais tarde, à epopeia dos Descobrimentos Portugueses.
Muitos e variados eram os boatos acerca deste feito: uns diziam que as embarcações eram destinadas a transportar a Infanta D. Helena a Inglaterra, onde mais tarde se casaria; outros diziam que era para levar El-Rei D. João I a Jerusalém para visitar o Santo Sepulcro; mas havia ainda quem afirmasse a pés juntos que a armada se destinava a conduzir os Infantes D. Pedro e D. Henrique a Nápoles, para se casarem…
Foi então que o Infante D. Henrique, inesperadamente, apareceu no Porto para controlar o andamento dos trabalhos no estaleiro. Mesmo satisfeito com o trabalho realizado, achava que se poderia ter feito mais, e confidenciou ao mestre Vaz, o fiel encarregado da construção, as secretas e verdadeiras razões que estavam na sua origem: a conquista de Ceuta.
Pediu a todos os intervenientes mais empenho e sacrifício e, por sua vez, o mestre Vaz, assegurou ao Infante que fariam o mesmo que tinham feito cerca de trinta anos atrás aquando da guerra com Castela… os habitantes aprovisionariam os barcos com tudo o que tinham na cidade, oferecendo toda a carne limpa aos que partiriam em direção à costa africana e ficariam apenas com as vísceras dos animais, as tripas. Chegada a fome, assim o fizeram, criando um prato muito pobre, apenas composto de tripas e pão escuro.
Mas nem por isso as pessoas do Porto ficaram a sofrer, pois inventaram uma maneira de cozinhar as tripas e este sacrifício valeu-lhes valente a alcunha de “tripeiros”.
Comovido, o infante D. Henrique disse-lhe que esse nome de “tripeiros” era uma verdadeira honra para o povo do Porto.
A História de Portugal registou mais este sacrifício invulgar dos heróicos “tripeiros” que contribuiu para que a grande frota do Infante D. Henrique, com sete galés e vinte naus, partisse a caminho da conquista de Ceuta.
Na verdade, existem outras histórias para a explicação do nascimento das Tripas à moda do Porto. Inclusivé houve quem dissesse que os barcos não iriam para Ceuta, mas sim para Itália, por causa dos casamentos do Infante D. Henrique e de D. Pedro.
A lenda mais antiga pertence ao século XII e relata que o prato terá surgido quando o Bispo do Porto decidiu apoiar a frota das Cruzadas.
Mas existe ainda quem defenda que a história centra no Cerco do Porto, em 1832 onde se sabe que realmente houveram vários problemas no centro da cidade e a fome ia crescendo. Como truque para superar a falta de alimentos, as pessoas inventaram a receita dos miúdos porque não tinham carne.
Mas convenhamos que a lenda dos descobrimentos é a que teve maior aceitação.
ORIGINALIDADE DA RECEITA
Na verdade, apesar de existirem, pelo mundo fora, várias receitas que utilizam as tripas, só no Porto é que a alcunha dos nascidos da cidade coincide com o prato típico.
Desengane-se se pensa que a receita que chegou aos dias de hoje é a original. Obviamente que a receita sofreu evolução ao logo dos tempos, pois o feijão apenas chegou à Europa no século XVII. Até aí, as tripas eram servidas estufadas em fatias de pão. Sabe-se também que a venda de tripas não era permitida em toda a cidade. Cada freguesia do centro histórico teria, pelo menos, dez vendedores que não podiam andar pelas ruas, e apenas podiam vender em locais limpos e arejados.
É TRADIÇÃO COMER TRIPAS À MODA DO PORTO À QUINTA-FEIRA
Ainda hoje, nos restaurantes da cidade, o mais habitual é encontrar Tripas à Moda do Porto nas ementas à quinta-feira. E porquê este dia? Segundo a Associação de Fressureiras do Porto, quinta-feira era o dia de pagamento de quotas.
Contudo, o Sr. Fernando, responsável pelo Talho de S. Domingos, defende que as “donas de casa” compram tripas principalmente ao fim-de-semana para refeições familiares, por ser um prato de muita fartura.
RECEITA TÍPICA DAS TRIPAS À MODA DO PORTO
Deixemo-nos de histórias e vamos aqui deixar-vos, como são confeccionadas as tripas:
Receita Típica das Tripas à Moda do Porto - de acordo com a Confraria Gastronómica das Tripas à Moda do Porto
Primeiramente, para lavar as tripas não é preciso grandes floreados, assegura o talhante Sr. Fernando. “Basta água e sal. Mas têm de ser muito, muito bem lavadas!” E ainda nos deixa um segredo: “As tripas ficam melhores uma semana depois. Experimentem congelar e servir na semana a seguir.”
Prep Time30mins
Active Time1hr30mins
Total Time2hrs
Course: Prato principal
Cuisine: Portugal
Keyword: Dobrada, Porto, Prato Típico, Tripas
Yield: 4pessoas
Cost: 25€
Materials
400gramasFeijão Manteiga demolhado
500gramasDobrada de Vitela sola e folhada
1Chispe de Porco
1/2Mão de Vitela
200gramasPresunto gordo
200gramasSalpicão
1/2Galinha
1Chouriço de Carne
2Folhas de Louro
3Dentes de Alho
200gramasCebola
1Cenouramédia
1decilitroAzeite
1colher de sopaBanha de Porco
1colher de cháColorau
2Cravinhos da Índia
1conher de cháCominhos em pó
1/4molhoSalsa inteira
Sal e Pimenta preta moída q.b.
Instructions
Lavam-se as tripas muito bem e esfregam-se com sal e limão. Cozem-se em água com sal até estarem tenras. Limpe a mão de vitela e coza-a separadamente. Noutro recipiente coza as restantes carnes e o frango. Estas carnes retiram-se à medida que vão estando cozidas.
Coze-se o feijão , que já está demolhado, com a cenoura às rodelas e metade da cebola aos gomos.
Pica-se a restante cebola e põe-se a refogar na banha. Juntam-se todas as carnes cortadas em bocados (incluindo as tripas, frango, enchidos, etc). Deixa-se apurar um pouco e introduz-se o feijão. Tempera-se com sal, o cravinho, o colorau, a pimenta preta moída na hora, o louro, a salsa e os cominhos. Deixa-se apurar bem.
Retira-se a salsa e serve-se em terrina de porcelana ou barro, polvilhado segundo o gosto, com cominhos ou salsa picada e acompanhado com arroz branco seco.
Bom apetite!
MELHOR RESTAURANTE PARA COMER TRIPAS À MODA DO PORTO
Apesar do nome pomposo, o Home Staging é muito mais simples do que parece!
Home Staging significa encenação e serve para enaltecer os pontos positivos de um imóvel. É, acima de tudo, uma técnica de marketing imobiliário que pode ajudar a vender o seu imóvel mais rapidamente e por um valor superior.
O Home Staging (ou encenação de imóveis) já está implementado em vários países ocidentais há mais de 30 anos. Em Portugal, é uma técnica inovadora e já apresentou resultados muito positivos. Fomos fazer uma formação com a expert Rita de Miranda e voltámos cheios de vontade de pôr em prática este conhecimento tão valioso. Saiba o que é o Home Staging e para que serve.
«PORQUE NÃO CONSIGO VENDER O MEU IMÓVEL?»
Se está a tentar vender o seu imóvel – do qual tanto gosta – e não percebe porque ninguém o quer comprar, saiba que há inúmeras razões para tal acontecer. Entre algumas destas razões, encontram-se cinco muito importantes e sobre as quais lhe vamos falar.
O SEU APEGO PELO IMÓVEL
Explicamos porque o seu consultor imobiliário insiste em chamar a sua habitação de “imóvel” e não de “casa”. Acontece que, para si, o espaço que pretende vender é a sua casa, onde guarda os seus pertences e memórias, onde cada canto reflecte cada pedaço de si. Para o resto do mundo, o que está à venda é um imóvel e é disso que os potenciais compradores estão à procura.
O cliente comprador não tem qualquer afinidade com a sua habitação e o que procura é um espaço que lhe desperte emoções privadas e positivas, onde consiga imaginar-se a viver.
Antes e depois do Home Staging.
Ora, naturalmente, se o seu imóvel está repleto de objectos pessoais e a decoração está feita ao seu gosto, é possível que o potencial comprador sinta um desapego em relação ao imóvel caso não se identifique com os seus pertences. Isto acontece muitas vezes porque os clientes têm alguma dificuldade em projectar o potencial do imóvel perante este obstáculo.
Curiosamente, apenas 10% dos clientes compradores tem a capacidade de se abstrair do recheio e condições de um imóvel e de conseguir realmente visualizar o seu potencial. Os restantes 90% bloqueiam quando se deparam com algo que não lhes agrada. Ao mínimo detalhe incompatível, o visitante vai reagir insconscientemente à emoção despertada e vai imediatamente recuar!
Conselho valioso: tenha sempre em conta que o que vai vender é o seu imóvel. A sua casa (lar) vai consigo para a sua nova morada. As fotografias, lembranças, mobílias, têxteis e outros objectos pessoais não vão ser vendidos com o imóvel! Pense que é de um negócio que está a tratar e a rapidez e valor obtido são as suas principais motivações.
O IMÓVEL ESTÁ DESABITADO MAS AINDA SE ENCONTRA MOBILADO
Esta é uma situação parecida com a descrita no ponto 1, à excepção de que ninguém habita o imóvel e este se encontra fechado e sem respirar. O recheio da casa costuma ser antiquado e/ou nada adequado às suas funções. Ao passo que num imóvel habitado o visitante ainda consegue imaginar como é viver nele, mesmo que não lhe agrade o cenário, no caso de um imóvel não habitado a primeira emoção sentida é a de rejeição. Muitas vezes, parece até que o imóvel foi transformado num museu em honra de quem o habitou. Não é isto que um cliente quer quando procura uma nova morada!
O IMÓVEL ENCONTRA-SE TOTALMENTE DESPIDO
Antes e depois do Home Staging.
A noção de espaço num imóvel vazio é difícil de entender para a maioria das pessoas. E muitas vezes, uma divisão vazia parece mais pequena do que na realidade é. Ponha-se no lugar do visitante e faça um inventário mental da sua mobília. De seguida, imagine-a distribuída pelas várias divisões do imóvel vazio. Que experiência retira deste ensaio? O mais provável é encher-se de dúvidas quanto à correcta distribuição dos mesmos e ao volume ocupado por cada móvel. Esta experiência pode demover os visitantes e levá-los a desisitir da compra.
Em ambos os pontos 2 e 3, compreendemos que, para si, o principal transtorno passa pela despesa que o imóvel inabitado lhe está a dar. Se fizer as contas, quanto está a gastar anualmente pelo imóvel que pretende vender? Some o Imposto Municipal sobre o Imóvel (IMI) + 12 mensalidades do banco (se ainda estiver a pagar o imóvel) + seguros + 12 meses de condomínio (no caso de existir) + 12 meses de contas de água e luz. Que resultado obteve? Quanto pensa que gastaria se efectuasse pequenos upgrades ao imóvel para o tornar mais apelativo ao público em geral? Mais abaixo iremos explicar como o Home Staging pode ajudá-lo a economizar e, no final de tudo, a vender o seu imóvel três vezes mais depressa e de acordo ou acima do seu valor de mercado.
O IMÓVEL PRECISA DE REPARAÇÕES
O que para si já se tornou tão habitual que já nem lhe faz confusão, para o visitante pode ser uma das causas que o leve a desistir da compra ou de querer baixar o valor da proposta. Uma torneira a pingar, uma fissura na parede, um rodapé ligeiramente descolado, uma porta que chia ao abrir e fechar. Estas são pequenas reparações que pode fazer e que irão fazer muita diferença. O potencial comprador vai ter atenção a todos os pormenores. Como sabe, é uma decisão muito importante na vida de alguém.
Antes e depois do Home Staging.
Outra situação menos fácil de resolver (mas não necessariamente dispendiosa) é a de problemas estruturais e de acabamento. Tubagens fora das paredes, revestimentos em mau estado ou antiquados, pavimentos maltratados, janelas que vedam mal, manchas e cheiros de humidade… é uma lista extensa de possibilidades que vão causar má impressão ao visitante e levá-lo a propor um valor muito abaixo do pretendido se, antes disso, não desistir da compra.
O IMÓVEL ESTÁ A PEDIR UMA LIMPEZA e/ou ARRUMAÇÃO PORMENORIZADA (ao estilo “limpeza da Primavera”)
Reforçando o facto do visitante querer imaginar-se a viver no ambiente que visita é de esperar que o resultado seja pouco positivo quando visita um imóvel com pó, detritos, cheiros desagradáveis, janelas sujas, paredes manchadas e/ou objectos indiferenciados espalhados desordenadamente. Ninguém consegue desbloquear o prazer que será habitar um imóvel que vai dar muito trabalho a limpar e/ou arrumar. O que o comprador pretende é entrar na nova habitação com os seus pertences, não ter de o limpar a fundo e/ou retirar objectos do anterior proprietário.
Lembre-se que o comprador pretende conhecer o verdadeiro potencial da casa, indo de encontro imediato aos pontos positivos do imóvel. Assim que se depara com entraves de sujidade e desarrumação, poderá não conseguir focar-se no que realmente lhe interessa.
A presença de animais de estimação no momento da visita também pode causar transtorno e, nalguns casos, repugnação ao visitante. Há que assumir que nem todas as pessoas apreciam animais de companhia, porque têm alergias ou porque não gostam do cheiro ou, simplesmente, porque não. É uma realidade que deve ser respeitada. Mais vale tentar vender o seu imóvel a alguém que não quer animais do que não vender de todo, certo? Para isso é necessário que, nos momentos de visita ao imóvel, os animais de estimação sejam retirados de cena, juntamente com todos os seus acessórios (caixas de areia, camas, tigelas, arranhadores…). Também os cheiros devem ser eliminados. Mais abaixo referimos truques simples para o efeito.
«MAS AFINAL O QUE É O HOME STAGING E PARA QUE SERVE?»
Pelo decorrer deste artigo já deve ter percebido que Home Staging é uma forma de dar a volta às situações acima referidas. E está certíssimo! Home Staging é um termo vindo da América do Norte, implementado no marketing imobiliário ocidental há mais de 30 anos. Tem como objectivo preparar o imóvel, como o próprio nome indica,para o vasto mercado imobiliário e, face ao mesmo, destacá-lo perante a concorrência. Desta forma cria condições que poderão contribuir para acelerar a venda e ainda manter ou aumentar o valor do imóvel!
Antes e depois do Home Staging.
O Home Staging chegou a Portugal há mais ou menos uma dezena de anos e está agora em voga porque passou a ser reconhecido como uma técnica eficaz que contribui em muito na venda dos imóveis face à concorrência.
Até agora, os consultores imobiliários empenharam-se em angariar imóveis e encontrar potenciais compradores para os mesmos. Ficava de parte a preparação do imóvel para desencadear as visitas e diminuir o tempo de venda. Com o aumento da concorrência e a tendência para uma maior preocupação com a estética dos interiores aliada ao bem estar emocional, tornou-se pertinente esta fase intermediária, a da preparação ou encenação do imóvel.
Antes e depois do Home Staging.
Repare que Home Staging não é Design nem Decoração de Interiores. Home Staging envolve, principalmente, a função de criar ambientes genéricos, despersonalizados, que frisem a utilidade de cada divisão da casa. Com isto, o visitante vai conseguir situar-se no imóvel com mais facilidade e deixar que as suas emoções, em conjunto com as suas necessidades, o conduzam a uma decisão final. Por isto, o Home Staging deve respeitar um recheio o mais neutro possível. Até porque nunca sabemos quem virá visitar o imóvel. Pode ser alguém solteiro, casado, com ou sem filhos, mais novo, mais velho, com variados tipos de interesses e gostos muito diferentes dos seus.
O investimento que fizer em Home Staging poderá reflectir-se no valor final do imóvel e no tempo de venda do mesmo. Só sai a ganhar!
É muito importante não colocar o gosto pessoal sobre o essencial. Fotografias pessoais, pinturas vibrantes, peças de arte extravagantes, têxteis muito coloridos, mobiliário bizarro e fora do contexto e outros objectos de gosto pessoal… tudo o que compõe a sua vida privada e gosto pessoal deve ser guardado no momento das visitas.
Antes e depois do Home Staging.
O imóvel deve cheirar bem e ter ar fresco. Entrar num ambiente desconhecido deixa-nos sempre num inconsciente estado de alerta. Quanto mais acolhedor for o ambiente, mais confortáveis e relaxados nos sentiremos. Deve lembrar-se sempre de arejar a habitação antes da chegada do visitante e, de preferência, emanar um aroma natural e agradável por todas as divisões. Cheiros de frutas e bolinhos acabados de fazer são uma boa aposta porque agradam a maioria das pessoas e despertam memórias boas.
As casas de banho são, por vezes, esquecidas na preparação do imóvel para visitas. Na nossa experiência, nos casos em que os imóveis estão habitados, encontramos regularmente objectos de higiene pessoal dispostos um pouco por toda a divisão. E naturalmente sentimos cheiros característicos do uso de uma casa de banho. É muito fácil contornar este cenário. Guarde as escovas de dentes, o fio dental, o algodão, os frascos de champô e gel de banho, o secador… Deixe os sanitários a brilhar. Troque as toalhas e disponha-as na perfeição. Desinfecte a sanita e feche a tampa. Brinde a sua casa de banho com um a três (no máximo) objectos decorativos, como uma planta, um sabonete novo e uma vela.
Antes e depois do Home Staging
Se perceber que os revestimentos e sanitários da sua casa de banho estão em mau estado ou estão muito desactualizados, pondere a possibilidade de fazer uma remodelação. Hoje em dia encontra materiais excelentes a preços muito confortáveis. Esta remodelação vai fazer toda a diferença na valorização do imóvel e vai agradar à maioria dos visitantes.
Antes e depois do Home Staging.
A cozinha também é outra divisão que costumamos encontrar em desarmonia com a expectativa. Compreendemos que, caso esteja a habitar o imóvel em questão, seja uma área de uso intenso e constante. No entanto, o visitante precisa de analisar todos os pormenores da cozinha e não irá sentir-se à vontade se tiver de afastar electrodomésticos e utensílios de bancada ou abrir armários (repletos de objectos) para ver as condições do mobiliário. Mais uma vez é importante reforçar a principal função da divisão que, neste caso, é alimentar e, de preferência, de forma saudável.
Antes e depois do Home Staging.
Limpe as bancadas, retire a torradeira, a tosteira, o robot de cozinha, o micro-ondas, o fervedor eléctrico… e arrume num local discreto mas onde consiga aceder facilmente. Deixe apenas um prato ou fruteira com fruta fresca, um jarro com flores ou uma planta. Limpe e organize o frigorífico e coloque lá dentro metade de uma cebola ou uma casca de limão para neutralizar os cheiros. Se tiver mesa, esvazie a sua superfície e, se quiser, coloque louça de pequeno almoço.
Se os revestimentos e movéis de cozinha estiverem em mau estado ou a precisar de remodelação, invista. Tal como a casa de banho, a cozinha costuma ser um factor decisivo na escolha de um imóvel. É possível que vá ser uma divisão com muito uso e que exige um ambiente confortável e funcional. Se alguma porta chia, uma torneira pinga, uma janela ou persiana fecha mal, rectifique. Se os móveis são muito antigos e uma boa pintura pode dar-lhes uma cara nova e bonita, pinte-os. Se os azulejos estiverem a pedir reforma, pinte-os também ou coloque um revestimento actual e neutro. O cliente vai ter uma reacção muito mais positiva se se deparar com uma cozinha cuidada, organizada e funcional.
Antes e depois do Home Staging.
Na sala de estar, deixe ficar apenas o que faz desta divisão aquilo que ela é. Sofá, móvel de apoio, candeeiro, quadro ou espelho, almofadas e alguns livros, uma planta para trazer a natureza para dentro do imóvel, um tapete se ajudar a complementar o ambiente. A disposição dos elementos deve permitir a fluidez na circulação pela sala. As principais mais valias, como uma lareira, devem ser alvo de atenção.
Na sala de jantar, espaço destinado à refeição e ao convívio, deve manter a mesa e as cadeiras (se ocuparem a totalidade da mesa considere retirar algumas) com louça de refeição, um móvel de apoio, um centro de mesa, um candeeiro suspenso, um espelho ou quadro e um jarro com flores. Se houver algum móvel louceiro muito grande e que ocupe muito espaço, pondere retirá-lo ou, se possível, deixar apenas a parte de baixo.
Antes e depois do Home Staging.
Os quartos também devem transparecer a função a que se destinam, descansar e dormir. Num quarto de casal, uma cama para dois. Num quarto de solteiro, uma cama individual. Cama, têxteis neutros, mesa(s) de cabeceira(s), candeeiro suspenso e candeeiro(s) de mesa(s), camiseiro ou cómoda, armário (se couber), um livro e um jarro serão suficientes para recriar o ambiente pretendido. Isto e uma cama bem feita! Um espelho e uma cadeira, se o quarto for muito grande, pode ajudar a compor o espaço.
Antes e depois do Home Staging.
Uma casa pode ter mais divisões, não referidas nas soluções de Home Staging descritas acima. O importante é ter em conta que o objectivo é reforçar a função para o qual o ambiente criado se destina.
Paredes com cores vibrantes ou papéis de parede berrantes podem demover o visitante só porque este não se identifica com o estilo. Lembre-se que as cores neutras são sempre as melhores escolhas. Brancos, cinzas e beges são boas apostas, desde que bem equilibradas. Pintar as paredes da casa, tapar possíveis fissuras e antigos furos são convenientes na preparação do seu imóvel para venda. Estes tons também podem e devem ser aplicados na escolha dos têxteis a aplicar no imóvel.
A iluminação é um apontamento muito importante. A luz natural, em conjunto com a iluminação artificial, é um factor chave para a noção de amplitude dos espaços. Em todas as visitas ao imóvel, as luzes devem estar acesas e com luzes quentes. O tom das lâmpadas vai conferir conforto à habitação. Por isso, escolha tons amarelados. Aquelas lâmpadas frias, de tom branco, são utilizadas, por exemplo, em negócios onde se pretende que o cliente não se demore, precisamente por não ser um tom acolhedor. Posto isto, lembre-se que, se posível, é importante ter um contrato de luz activo, de forma a conseguir criar um ambiente confortável e bem iluminado. Além da iluminação artificial, tenha os vidros bem limpos e os cortinados abertos. Só os deve fechar caso a vista para o exterior seja desagradável. Ainda assim, escolha têxteis claros para as janelas, de forma a permitir ao máximo a entrada de luz natural.
Antes e depois do Home Staging.
E o que fazer às peças de mobiliário e acessórios decorativos e pessoais que não vai precisar durante o processo de Home Staging?Há várias formas de conseguir armazenamento para estas peças. A garagem de um familiar ou amigo, um pedaço de um armazém, o aluguer de um espaço para o efeito. Existem empresas de mudanças que alugam espaços (boxes) de armazenamento temporário a preços convidativos. Se os objectos pessoais não ocuparem muito espaço, pode empacotá-los em caixas de cartão e guardá-los, de forma organizada, dentro de um armário.
Se o imóvel que tem para venda ou arrendamento não se encontra habitado, é provável que este se encontre desprovido de mobiliário. No caso de imóveis vazios, também há formas de dar a volta. Existem empresas que alugam mobiliário e, pela internet, encontra quem venda mobiliário usado a preços acessíveis. Por vezes, é necessário retocar algumas peças mas, com pouca mão de obra, conseguem-se resultados muito satisfatórios que em conjunto com os objectos decorativos certos, recriam ambientes perfeitos de Home Staging. Também pode optar por usar mobiliário seu. Lembre-se que será uma situação temporária e que em breve poderá usufruir novamente das suas mobílias e têxteis.
FAÇA AS CONTAS Já foi referido que o Home Staging é uma estratégia que poderá acelerar a venda e acrescer valor ao imóvel. É certo que terá de dispender algum dinheiro e tempo para concretizar um projecto destes. Mas fazendo as contas, o objectivo vai justificar esta dedicação. Mais acima, falámos das despesas inerentes a um imóvel (IMI+ Mensalidades banco(se ainda está a pagar o imóvel)+ Seguros+ Condomínio(quando aplicável)+Despesas com água e luz. Se este se encontra desabitado, as despesas duplicam. Está a ter gastos com a sua actual residência e ainda com o imóvel que tem para venda. Some todas as despesas que vai ter durante 6 meses a um ano (o tempo que pode vir a demorar a vender o imóvel ou mais). Pondere se se justifica gastar esse ou muito menos dinheiro em melhorias ao imóvel, de forma a tentar vendê-lo mais depressa e a rentabilizar o seu investimento.
CONCLUSÃO Como pode ver, o Home Staging não é nada de complicado. É, acima de tudo, uma técnica de marketing para potenciar a venda ou aluguer de imóveis. Da próxima vez que o seu consultor imobiliário lhe sugerir esta solução, pondere bem, porque o que ele lhe está a propôr é reflexo de uma grande preocupação para consigo e com o sucesso do seu negócio.
Porque compreendemos a urgência que tem na venda do seu imóvel, teremos todo o prazer em ajudá-lo a vender o seu, aconselhando-o com o nosso know-how. O nosso objectivo é ajudá-lo a poupar o seu tempo e o seu dinheiro da forma mais eficaz.
Contacte-nos por telefone +351914007660 ou por e-mail geral@ville.pt ou visite o nosso website em www.ville.pt
Rossio, o carismático terreiro de Aveiro que conta mais de 500 anos de História e de estórias locais.
O coração de Aveiro e pulmão da Beira-Mar, palco de grandes acontecimentos que marcaram as várias épocas da evolução da cidade, está novamente em fase de mutação. Conheça a história do desenvolvimento deste acarinhado parque urbano.
Atualmente conhecido pelo Largo do Rossio, já se chamou Ressio, Roxio, Rossia e Rocio. Antes de ser terreiro por lá existia uma marinha de sal acostada por uma praça pública, que deu origem ao seu nome, Rossio de São João.
O Rossio já foi morada de uma capela, um pelourinho, um matadouro, dois velódromos, duas praças de touros, um cinema, um teatro, um salão de chá e um campo de futebol! Sem faltar claro, a origem da Feira Franca, hoje em dia aclamada de Feira de Março!
Atualmente existe um extenso relvado com árvores frondosas, um jardim infantil e um pequeno auditório ao ar livre, entre outras instalações de mobiliário urbano que fazem as delícias do lazer dos aveirenses e visitantes. Ali já estiveram bem assentes 29 palmeiras mas, depois da epidemia do escaravelho vermelho, em 2016, passaram a existir muito menos.
SÉCULO XV – A FEIRA FRANCA NA PRAÇA PÚBLICA
De Feira Franca a Feira de Março
Foi aqui, mais precisamente junto ao Canal Central, que nasceu a que hoje conhecemos por Feira de Março, mas que então foi baptizada de Feira Franca.
Em 1434, El-rei D. Duarte, o “Eloquente”, permitiu que o seu irmão, o Infante D. Pedro – senhor de Aveiro – realizasse em terras aveirenses uma feira de oito dias. Aqui podiam encontrar-se alfaias agrícolas, mantas de trapos, presuntos e queijos, louças, artesanato…
A selecção deste local deveu-se à grande importância comercial que este ponto apresentava na época. A Feira Franca facilitaria a movimentação de bens e mercadorias e o desenvolvimento económico da região. Era, para alguns, a oportunidade de acesso a bens que, de outro modo, seriam inacessíveis.
Conta-se que, durante este evento, nenhum criminoso poderia ser preso a não ser que fosse apanhado em flagrante na própria feira.
Só a partir de 1497 esta feira passou a acontecer em Março e só aí ganhou o nome pela qual é hoje conhecida, a Feira de Março. Finda a feira, as barracas que ali ficavam serviam de “templo de amores a troco de dinheiro”.
Foi em 1497 que esta feira passou a acontecer no mês de Março.
Em 1959 foi celebrado no mesmo lugar o milenário de Aveiro e o bicentenário de elevação de Aveiro a cidade, tendo sido realizada uma Feira Industrial.
A Feira de Março decorreu anualmente no Rossio até 1979, ano em que passou a realizar-se no Canal do Côjo, antigo recinto de feiras em Aveiro.
SÉCULO XVI – A MARINHA DE SAL TRANSFORMADA EM FORTE DE TERRA
Os consecutivos ataques de invasores vindos do mar e o respetivo roubo de navios de mercadorias obrigou a que as naus, de visita à Terra Nova (Aveiro) em busca de bacalhau, viessem armadas. Em 1580, o então Prior do Crato (vila de Portalegre) indicou que se construísse um forte de terra no lugar da marinha de sal . Deste modo, os espingardeiros podiam desembarcar e ter espaço para, estratégicamente, se defenderem. Em 1585, Marcos Vidal, navegador aveirense, decretou caça aos piratas ingleses na Terra Nova.
SÉCULO XVII – A CAPELA DE SÃO JOÃO
Em 1607 foi erguida no Rossio a capela de São João, que foi demolida em 1911, dando lugar à afamada capela de São Gonçalinho, mas situada um pouco mais acima, no bairro da Beira-Mar, para onde foram deslocadas as imagens religiosas que a habitavam.
SÉCULO XIX – DE MARINHA ROSSIA A LARGO DO ROSSIO
COMO TUDO COMEÇOU
O Rossio nem sempre conheceu a superfície que hoje conhecemos. Era maioritariamente um terreno alagado acostado por uma praça pública. Só em 1851, o então presidente da Câmara Municipal decidiu aterrar a “marinha rossia, com vista a dar ao Largo do Rossio uma forma regular, arborizando-o e embelezando-o”.
Em 1865 é também proposto um aumento do número de habitações na zona rossia, uma vez que várias famílias se encontravam aglomeradas em casas que não suportavam tão grande número de moradores.
Só a partir de 1875 o Rossio conheceu a forma que hoje conhecemos. Desde então por lá passaram diversas infra-estruturas das quais damos a conhecer algumas:
PRAÇAS DE TOUROS
O primeiro Matadouro Municipal de que há registo em Aveiro existiu no Rossio, por volta de 1817. Em 1863 foi improvisada no Rossio uma Praça de Touros, o que parece ter sido um sucesso porque, em 1876, construía-se uma praça a sério. Viria a ser demolida em 1897. Talvez por deixar saudades, 10 anos depois, em 1907, um novo Tauródromo é erguido no mesmo local. Lá assistiu-se a uma tourada com “diestros” espanhóis, organizada pelo Sport Clube do Beira-Mar.No entanto, passado um ano, este recinto viria a ser desmontado e vendido. Ainda se organizaram mais duas touradas, 10 anos depois, numa Praça de Touros improvisada, a favor da Cruz Vermelha. Ao que tudo indica, esta data anúnciou o fim das touradas em Aveiro.
VELÓDROMO
Aveiro conta com muitos anos de cultura velocípede. Foi das primeiras cidades a interessar-se tão calorosamente pelo ciclismo. Ao lado do Tauródromo, quase no final do século, em 1895, foi inaugurado o Velódromo do Rossio. Este ano celebraria 123 anos de existência! Quase 10 anos depois foi construído junto ao Canal do Côjo, o 2º velódromo do Rossio, por iniciativa do Clube dos Galitos. Aqui, entusiasmantes corridas foram realizadas e assistidas.
CAMPO DE FUTEBOL
Em 1921, o Rossio viu surgir no seu terreiro um Campo de Futebol improvisado ao ar livre, criado por alguns rapazes do bairro piscatório da Beira-Mar, recém-chegados dos Estados Unidos. Ali, à beira da ria, nasceu o Sport Clube Beira-Mar, fortalecido pela brisa salgada da maresia.
CINE-ROSSIO
Em Junho de 1928, foi inaugurado no Rossio de Aveiro o “Rossio-Cine”, ao ar-livre, exibindo o filme “Dagfin, patinador”. O capitão de fragata Silvério Cunha, cidadão preocupado com a cidade e a ria, aproveita este espaço para promover uma palestra com o tema “Aveiro no Passado, a história da laguna e a fase atual da questão”
CASAS DE CHÁ E COLOCAÇÃO DA ESTÁTUA DE JOÃO AFONSO DE AVEIRO
Em 1936 uma casa de chá, toda em madeira, é inaugurada no Rossio. Ao que tudo indica e analisando pelas fotografias da época, nas cheias de 1938 este edifício já lá não estaria. Conta-se que as estacas que tocavam a ria apodreceram e a mesma ruiu. No seu lugar foi construído um WC público.
Mas em 1959, nas comemorações do milenário e do bicentenário de elevação de Aveiro a cidade, foi realizada uma Feira Industrial no Rossio. Em paralelo, foi colocada no mesmo espaço a estátua de João Afonso de Aveiro – navegador – e nasceu um novo Salão de Chá, com um pé no terreiro e outro na ria.
Por concessão da Câmara Municipal, este edíficio, denominado de Café do Rossio ou Casa de Chá, começou por ser gerido pela paróquia da Vera Cruz, durante a Feira de Março e as várias verbenas por lá organizadas, em prol da Cruz Vermelha. Vários aveirenses ainda se recordam de ter ajudado no atendimento ao público. Dele guardam divertidas memórias e muitas saudades!
“Que saudades deste café, onde passei momentos muitooooo felizes da minha juventude!” Aldina Miranda
“Era lindo!!!tudo no ROSSIO deixou SAUDADES!!” Maria Salgado
“Era um belo pré-fabricado, colorido, de linhas modernas, contra o verde doarvoredo.” Maria Manuela
Este foi também o primeiro café do senhor Augusto, fundador da afamada cervejaria “O Augusto” , após ter deixado de trabalhar na cervejaria Tico-Tico. Nesta fase, funcionava durante todo o ano.
Serviu ainda de sede provisória do S. C. Beira-Mar, aquando o incêndio das suas instalações na Av. Dr. Lourenço Peixinho, em 1965. Depois destas passagens, foi sede de Turismo e por fim, no início dos anos 70, foi demolido e nunca mais no Rossio habitou uma estrutura tão moderna e original.
OS PARQUES INFANTIS DO ROSSIO
Também várias gerações de pequenos cidadãos e visitantes têm usufruido deste parque, em brincadeiras de imaginação infinita. Cada geração teve direito a um parque infantil diferente, mas todas as versões foram aproveitas ao máximo!
O ROSSIO NO SÉCULO XXI
Nos dias que correm, o Rossio é a praça pública aveirense mais frequentada. Com o aumento do turismo na cidade, este local serve de ponto de chegada, de encontro e de referência para milhares de turistas. É aqui que nascem as inúmeras histórias de amor que Aveiro grava no coração de quem a visita.
O Rossio de Aveiro é lugar aprazível para brincar, exercitar, descansar, piquenicar, contemplar e namorar!
A época balnear de 2018 traz consigo um suspiro de saudade. Este ano, já não veremos o audaz e querido Atita pelas praias da região.
Atita, registado com o nome Eduardo Raposo Rodrigues de Sousa, nasceu e cresceu em Aveiro, mais precisamente no bairro da Beira-mar, na Rua do Arco, nº8, em frente à porta da sacristia da capela de São Gonçalinho.
Muito cedo, separou-se do seu verdadeiro nome recebendo, por herança do seu pai, a alcunha de “Atita”.
Segundo o próprio contava, «… na altura do meu pai, o Rossio, onde agora estão aquelas palmeiras, estava cheio de cardos e usava-se o chamado bisgo (espécie de cola) para apanhar os pintassilgos que lá poisavam. Mas, como a malta era muita, sei lá, uns 10 ou 12, e o meu pai era o mais pequeno de todos, então diziam-lhe; “Oh pá, bai lá daquele lado atitar aos pintassilgos.” ».
E assim nasceu a alcunha de Atita – atitar significa soltar atitos (pios de certas aves). Esta alcunha permaneceu na família, mas foi Eduardo Raposo quem a herdou, “por ser o mais maroto da família” e aquele que mais se destacou na comunidade aveirense.
Desde muito cedo dedicou-se à Natação. Alías, em Aveiro, a sua alcunha é indissociável desta prática. O “Tubarão da ria e do mar” poderá ter vivido mais tempo dentro de água do que fora dela. Fosse na ria, no mar ou nas piscinas, ensinou sequelas de gerações aveirenses a nadar. Como atleta, representou sempre o Sport Club Beira-Mar e foi, entre outros títulos, campeão dos 100m, 400m e 1500m em provas regionais. Fez da ria a sua piscina particular e das pontes de Carcavelos, Dobadoura e São João as suas pranchas de saltos.
Atita, na década de 60 com alguns dos aveirenses que ensinou a nadar.
Entre distintos ofícios – que passaram pela tipografia Lusitânia como encadernador, a casa Varela como comerciante de artigos de pesca, a fábrica do Canal e a fábrica Campos, envolvido na produção cerâmica, e uma escapadela para os Estados Unidos da América (de 1968 a 1981) onde foi padeiro e operário fabril – dedicou-se sempre à prática e ao ensino da Natação. Mas foi a partir do seu regresso a Aveiro, em 1981, que se empenhou, exclusivamente, neste ensino. Nas várias piscinas do município, na antiga lota (praia das Pirâmides), no Poço de Santiago no Canal de São Roque e nas praias da “Biarritz” e de “San Sebastian” na Costa Nova. Conta-se que, por ano, ensinava cerca de 250 pessoas a nadar. Ao fim de mais de 40 anos a fazê-lo, este número excede os 10 000 aveirenses!
«Aprender a nadar com o Atita tinha em Aveiro quase um valor de baptismo de aveirense» Luís Souto
Atita no Poço de Santiago.
Atita foi um dos primeiros a dar aulas de natação a crianças deficientes e a pessoas com idades mais avançadas. Também contribuiu para a formação de bombeiros locais, candidatos a mergulhadores, que absorveram os seus valiosos conselhos.
Foi Nadador Salvador nas piscinas e praias aveirenses. Salvou mais de 30 vidas, o que lhe valeu uma medalha de prata do Instituto de Socorros a Náufragos.
«O que eu gosto de ver são aqueles que salvei terem as suas famílias, isso é que me conforta o coração. (…) Costuma-se dizer que uma pessoa que salva uma vida salva o mundo, imagina quantos mundos é que eu já salvei…»
Descrito pela sua personalidade extrovertida, alegria contagiante e altruísmo, foi dinamizador de diversas actividades recreativas e desportivas. Entre as quais, criou o famoso “Banho dos Magníficos”, o famoso primeiro mergulho do ano, na praia da Barra, que arrasta multidões às águas frias do Atlântico a cada dia 1 de Janeiro.
Atita vestido de Pai Natal, em 1 de Janeiro de 2002, na praia da Barra.
Deu origem à “Corrida da Amizade”, apoiada pela Banda Amizade e dirigiu a Associação “Amigos do Parque”em defesa do espaço verde mais antigo da cidade de Aveiro, o parque Infante D. Pedro.
Atita foi também protagonista numa parte do filme “As mil e uma noites” de Miguel Gomes, precisamente na parte “o banho dos magníficos”, que ficou em 4º lugar em Cannes!
Uma das suas últimas grandes emoções foi receber a Grã-Cruz da Ordem de Mérito Civil das mãos de Marcelo Rebelo de Sousa, a quem ainda desafiou para o próximo mergulho dos “Magníficos”.
Atita homenageado com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito Civil, pelas mãos de Marcelo Rebelo de Sousa, em 2017
Três dias depois, a 10 de Dezembro de 2017, com 85 anos, faleceu o incrível Atita. Mas a cidade recorda-o e celebra-o com o mesmo carinho que sempre mereceu, embora agora com saudade.
O “Banho dos Magníficos” continuará a ser um seu legado aos aveirenses e a quem mais se quiser juntar, mas agora salpicado com um cunho de homenagem ao grande Atita.
Poderá apreciar o tributo municipal a Atita, encomendado na forma de graffiti ao artista Fábio Carneiro , que traduziu numa pintura hiper-realista a sua grandiosidade. Este graffiti está agora colocado sob a “Ponte de Pau”, no centro de Aveiro.